arte e autoria

depois de algum tempo sem passar por lá, estive na cidade universitária da usp, no butantã. ao descer do onibus, me deparei com uma obra de arte em construção, no jardim da fea.

achei muito interessante ver o momento da execução, é uma coisa que eu nunca tinha visto. a gente tá acostumado a ver a escultura pronta, aquele traço expressivo, aquelas cores e tudo mais, e nunca vê a hora da sua concretização.

no caso da tomie ohtake, autora desta obra, mais ainda, pois suas esculturas são sempre muito gestuais, muito autógrafas. como fica isso? ela faz aquele gesto único, mas é necessário uns 20 peões pra passar aquilo pruma peça de aço.
já pensou se o da vinci tivesse uma equipe pra passar uma passar um quadro dele a limpo?

o mesmo problema ocorre na arquitetura. porém, a divulgação das obras na arquitetura ainda ocorre. na escultura é raro. com raras exceções, não é o tipo de coisa que se fotografa e publica. por ai.
no jornal do campus da usp saiu uma foto da obra em construção, avisando que em breve ela seria inaugurada. mas a foto foi tirada no fim do dia, quando não havia ninguem trabalhando, apenas a obra inacabada e seus andaimes.

claro que foi a tomie quem idealizou o troço. mas sem uma equipe ela não botaria uma chapa metálica de pé, muito menos curva. e no fim, quem é o autor?

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Uma resposta to “arte e autoria”

  1. Rafael Says:

    Eu escrevi um texto sobre autoria no blog tempos atrás, mas acho que nem vale citá-lo aqui, já que ele abordadava outro tipo de questão.

    Mas essa questão que você levantou aí é meio parecida com o conceito de autoria no cinema…quem é o “dono” do filme? O diretor, o roterista, o produtor? E como eles fariam uma obra prima sem excelentes atores, diretores de arte, cinematógrafos, etc?

    Nesse caso acho que é bem claro que a “força criativa” vem completamente da Tomie Ohtake e os peões simplesmente estão executando o que ela planejou. De qualquer forma, compreendo o seu questionamento. Esse tipo de arte é diferente de, por exemplo, pintura e escultura (escultura “clássica”, no caso), onde o artista não só tem que idealizar a obra como ter a competência e a técnica para executá-la. Mas não deixa de ser arte.

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