Novembro 6, 2009 por kiyoto

acerca da fotografia

Novembro 4, 2009 por kiyoto

pastafotos

“A fotografia completou o processo de transformar a imagem em mercadoria abundante e barata mas, ironicamente, essa abundancia toda acabou por esvaziar as imagens de uma parte do seu poder simbólico tradicional, (…) o esvaziamento de sentido não pela sua supressão mas pela sua propagação ilimitada.”

Rafael Cardoso, Uma Introdução à História do Design. 2004

uma pequena reflexão ecológico-econômica

Outubro 29, 2009 por kiyoto

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tem aquelas histórias da austrália, que um dia levaram pra lá um inseto sem querer – acho que era um grilo – e o bicho virou uma praga. não tinha um predador que o comesse, então se multiplicou loucamente e acabou com as lavouras. pra combate-lo, levaram um sapo, e comeu os grilos. e entao se multiplicou, e virou uma praga tambem. aí levaram uma cobra que come o sapo. e assim ad infinitum.

um dia me responderam assim: mas também, o ecossistema da austrália é uma piada.
sendo uma ilha, todas as espécies vivem relativamente confinadas, o ecossistema é pequeno. por isso tem uns bichos tão peculiares como o canguru e o ornitorrinco.

depois fui descobrindo que, durante o brasil colônia trouxeram muitas coisas pra cá. entre elas, o gado – até onde eu sei não haviam bois nem vacas – e os cavalos, além de plantas, como o café. tudo isso pegou muito bem aqui, girou a economia colonial, e não virou praga. a meu ver, por que temos um espaço muito maior que a austrália e uma biodiversidade muito mais rica, tem um ecossistema mais complexo.

conclusão ecológica: um ecossistema mais forte aguenta essas “inserções”.

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o mesmo brasil colônia, por sua vez, sempre se baseou um monoculturas. teve o ciclo da cana, que rendeu e acabou. teve umas tentativas de ciclo do algodão. teve ciclo do café, que rendeu bem, e depois estagnou. e, acho que o mais emblemático pra conversa aqui é o ciclo da borracha, na amazonia.

descobriram a borracha, começaram a montar uma estrutura para extrair esse treco da floresta. criaram cidades inteiras só pra isso. manaus é uma delas e, no extremo, a fordlandia.  aí levaram a seringueira pra outros lugares, e quebrou a produção borracheira amazonica.

me ensinaram uma vez que nunca se põe todos os ovos numa mesma cesta. a monocultura é tão fragil que pode ser facilmente desestruturada.

conclusão economica: a economia brasileira é uma piada.

redes urbanas

Outubro 9, 2009 por kiyoto

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a idéia é a seguinte: voce pega uma rede, amarra e deita. onde voce quiser/conseguir. em um par de postes ou arvores. pode ser numa calçada, numa praça, num largo, num jardim. só não pode atrapalhar o fluxo dos transeuntes.

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por que as redes urbanas não são apenas de transporte. por que as áreas livres também são de estar.

um videozinho nosso:

eis que, depois de feita a experiencia, fiquei sabendo de um trabalho praticamente igual, feito por laura sobral, o objetivo agora é canalizar os esforços e ampliar a idéia.

sentido

Setembro 28, 2009 por kiyoto

maos

do alto do meu quarto de século, começo a vislumbar a que viemos.
ou pelo menos como eu funciono.

preciso de mestres que ensinem, que guiem, que mostrem possibilidades, como fazer, que indiquem quais caminhos ja foram trilhados e quais estao por trilhar

preciso de companheiros pra dialogar, pra desenvolver, pra estimular, pra ter compromisso, fazer junto

preciso ensinar, ajudar, colaborar, passar pra frente alguma coisa do que aprendi-fiz-pensei, pra fazer com que um pouquinho do que sou entre no grande ciclo das coisas, e contribua para algo maior do que um individuo

e o melhor é quando estes tres se misturam

porque a vida se faz no coletivo. por que sozinho nao sou nada.

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Setembro 23, 2009 por kiyoto

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era zero horas e zero minutos no relógio da rua,
e eu olhei para o brecheret de dentro do meia meia nove a.

era precisamente zero horas e zero minutos. exatos. redondos.
quer dizer, não era tão redondo. era quadrado.
era digital. discretizado. era naquele relógio que marca inclusive a temperatura.

a temperatura eu não vi, por que à zero horas não tem trânsito na brigadeiro, nem na brasil.
e por isso o meia meia nove a passou rápido. só deu pra ver o brecheret, e que eram zero horas e zero minutos no relógio da rua.

batidas no violão – parte 3

Setembro 12, 2009 por kiyoto

Dando continuidade à série batidas no violão.
Lembrando que não sou nenhum profissional, na verdade estudei muito pouco. Aprendi mais na prática, com ajuda de amigos. Vou relatar da maneira que eu aprendi, podendo inclusive haver erros no que eu digo.

Existem basicamente três maneiras de se tocar as cordas:
1 – Batida: “bater” todas as cordas com os dedos (uma explicação mais completa virá mais adiante). Também pode ser feito com palheta. O mais utilizado em música pop/rock;
2 – Dedilhado/Batida (puxada): tocando cada corda com um dedo (mas não as seis cordas, a não ser que você seja polidáctilo), mas todos ou quase todos simultaneamente (às vezes o polegar se destaca como bordão). Muito utilizado em Bossa Nova, MPB;
3 – Dedilhado: tocar cada corda com um dedo, com pouca sobreposição entre as notas. Ou seja, sem tocar varias cordas ao mesmo tempo. É o que se chama de arpejo em música erudita, que é onde é mais utilizado;

Lembrando que não há uma relação direta entre estas técnicas e os estilos citados como exemplo. Assim como também não há uma separação tão nítida entre as técnicas, sendo perfeitamente possível misturá-las.

aqui vai a primeira delas

1 – Batida
Pra começar, é legal aprender uma batida bem simples, comportada. Com o tempo a gente se desprende destas regras, e passa a fazer a batida como da vontade.
Pra uma batida simples, utilizamos três modos de tocar as cordas:
- Polegar: passando a “barriga” do dedão (o lado de dentro da ponta do dedo), de cima pra baixo.
- Indicador: passando a “barriga” do indicador, de baixo pra cima.
- Todos: passando as unhas de todos os dedos, exceto o polegar, de cima pra baixo. Na verdade não é bem passar. É mais como de estivesse com a mão fechada e abrisse os dedos.

Pras batidas simples usadas aqui, será definido que os toques para baixo serão nos tempos (números) e os toques para cima serão nos meios-tempos (“e”). Mesmo quando algum tempo não é tocado, é interessante a mão manter o movimento de balanço para cima e para baixo.
Há quem faça este movimento apenas com a mão, mantendo o pulso estático. Pra outros, a mão toda faz o movimento para cima e para baixo, movimentando o pulso, e às vezes até o braço.

Batida utilizada no vídeo:

1 e 2 e 3 e 4 e
P I T I P I T I

Lembre-se de repetir diversas vezes esse padrão.
Essa batida é didática, mas muito monótona, pois ocupa todos os espaços. O ritmo se faz com cheios e vazios.

Uma batida mais interessante, e mais útil:

1 e 2 e 3 e 4 e
P   T I   I T

Com uma batida dessa e os principais acordes maiores e menores você toca uma infinidade de músicas pop, como Legião, Paralamas, Capital Inicial, Skank…
Por mais que não fique idêntico, fica “tocável” e “cantável”, já dá pra horas de rodinha de violão.

Depois vá fazendo variações. A partir daquele padrão inicial, basta ir omitindo alguns tempos, que você vai criando padrões rítmicos diferentes.

Pra tocar batida com palheta (o que é mais recomendável para violões aço), basta pensar apenas em “para baixo” e “para cima”.
Fica mais simples ainda:

1 e 2 e 3 e 4 e
B   B C   C B

originalmente publicado no forum cifra club.

praia urbana

Agosto 30, 2009 por kiyoto

estive no ccsp neste belo domingo ensolarado para ver um concerto de música tradicional japonesa, e ganhei de brinde uma praia.

num dos jardins suspensos estavam cadeiras, cangas (meio lonas) e guarda-sóis (ta certo?), onde as pessoas podem ficar tomando um solzinho. inclusive tava um sol de lascar, afinal era 1h da tarde, eu preferi ficar na sombra.

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o guarda sol parecia menos de praia e mais daqueles de guardinha de estacionamento. será um resquício da urbanidade?

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até sairmos de lá e ver o nome da obra e a assinatura, não tínhamos certeza se se tratava de uma intervenção artistica ou de uma simples qualificação do espaço através da implantação de equipamentos. no fim, é os dois.

burle marx

Agosto 24, 2009 por kiyoto

fui ver a exposição do burle marx no mam, parque do ibirapuera. não tinha noção do tamanho da obra do cara.

o que eu sabia que ele foi praticamente o único paisagista dentre os modernistas brasileiros (que, convenhamos, os modernos não eram muito de paisagismo). mas, além disso, ele pesquisou, catalogou e divulgou a flora brasileira, num trabalho único no país.

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além de quadros e desenhos bacanudos, tinha uns documentários passando, longos mas muito bons, com a presença ilustre de grandes personalidades como aziz ab’saber e klara kaiser, dentre outros. além de muitas conversas com o próprio.

nesses videos ele fala que pra fazer paisagismo tem que entender de pintura, de música, de diversas artes.

enfim, quem quiser saber mais, de um google, e vá na exposição. altamente recomendável.

durante a exposição fiquei exercendo meu vicio atual, que é desenhar pessoas. as duas ultimas me agradam mais, são tentativas de fazer o autor à imagem de sua obra.

caderninhos

Agosto 16, 2009 por kiyoto

naquele princípio de “abrir a caixa preta“, minha nova mania: fazer cadernos.

tudo começou quando alguém me mostrou um caderno feito com encadernação colada, em gráfica. era uma encadernação colada hot melt (cola quente), com lombada quadrada, do tipo que faz revistas e livros. vendo que era possível, fomos fazer uns também.

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essa foto mostra um desses cadernos feito na gráfica. as folhas são fresadas (note umas marquinhas de corte na junta) e coladas. um leitor mais assiduo da kikipedia vai reconhecer a caneta laranja, aqueles desenhos foram escaneado desse cadernos.

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o passo seguinte foi a minha irmã, que é viciada em cadernos, e me viciou também. eu só comprava cadernos quando precisava, mas ela me ensinou a ter sempre um estoque.

também descobri o mundo dos moleskines, cadernos fetiche para os desenhistas. acontece que além de legais eles são extremamente caros. existem até alternativas econômicas a ele, algumas extremamente economicas.

bom, o fato é que eu fiz meus arriscos no campo, tentando costura, colagem, capas variadas, papel de miolo diversos, sempre chutando pra todo lado e sem muito foco, como de costume. quando eu estiver um pouco mais experiente eu monto um tutorial para amadores. até lá, divirtam-se com o tutorial do molespobre, muito bem explicado.

refletindo agora, lembro-me de tentar fazer cadernos grampeados como das revistas em quadrinhos quando era pequeno. a gente até inventou um método grampeando contra uma cadeira de palha.

mais algumas imagens no flickr, inclusive de desenhos feitos no próprio caderno.